Mariana Soares, Agência Indusnet Fiesp

Ações que promovam o bem-estar social e ambiental já têm espaço garantido no dia a dia das organizações e demostram que exercem significativo impacto nos objetivos e valores, e também na estratégia e visão da empresa. O Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental é a evidência disso. Há 26 anos, a premiação reconhece e valoriza os melhores projetos do setor industrial que promovem o crescimento sustentável e a conservação dos bens naturais. Em razão da pandemia da Covid-19, esta edição do Prêmio contempla inscritos neste ano e em 2020.

A cerimônia de premiação aconteceu na tarde desta quarta-feira (30/6), em transmissão on-line. Nesta edição, 40 empresas enviaram seus projetos para concorrer ao mérito. O evento marca o fim do mês dedicado ao Meio Ambiente, uma vez que o Dia Mundial do Meio Ambiente é vivenciado sempre em 5 de junho de cada ano.

Anícia Pio, gerente do Departamento de Desenvolvimento Sustentável (DDS) da Fiesp, apresentou os principais resultados das 26 premiações realizadas e fez questão de afirmar que todas as ações reconhecidas foram iniciativas voluntárias, ou seja, além do que a legislação ambiental exige de cada empresa. “Nosso objetivo é valorizar publicamente as companhias e também os seu colaboradores que fizeram e fazem os projetos saírem do papel. Tudo isso para demonstrar o quanto a indústria contribui e está comprometida com a sustentabilidade”, disse, ao contextualizar a importância do Prêmio.

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Fotos: Everton Amaro/Fiesp

De 2005 para cá, 380 empresas participaram do Prêmio, o que representou a soma de 702 projetos inscritos. O resultado das iniciativas possibilitou que 10,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos deixassem de ser geradas e 430 mil toneladas de insumos e matérias-primas não fossem descartadas. Juntos, esses e vários outros indicadores resultaram em economia de R$ 2,6 bilhões para as empresas autoras dos projetos.

Os números provam que a ética empresarial se aperfeiçoa de modo constante, com projetos que visam a sustentabilidade em qualquer campo (ambiental, social ou econômico), cada vez de forma mais destacado e já passaram a fazer parte do planejamento e desenvolvimento das companhias.

O reconhecimento às empresas premiadas se dá por meio de troféus e placas de menção honrosa. Foram homenageados projetos finalistas nas categorias médio e grande porte e micro e pequenas empresas.

Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Desenvolvimento Sustentável (DDS), da Fiesp e do Ciesp, afirmou que este é um momento muito especial e considerou que, passando a pandemia, deverá ser registrado um forte crescimento econômico, mas com novas premissas.

“Temos muitas dúvidas do que será este ‘novo normal’, mas, temos uma certeza: a necessidade imediata da chamada economia verde. Não serão mais aceitos padrões de consumo e produção que não sejam sustentáveis. As 26 edições deste prêmio são a prova de que certamente a nossa indústria está comprometida com o desenvolvimento sustentável e tende a intensificar suas ações neste sentido”, ressaltou.

Kalil Cury Filho, que é membro do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema), da Fiesp, e colíder de Políticas Públicas e Instrumentos Econômicos da Coalizão Brasil, Clima Florestas e Agricultura falou sobre a nova visão da sustentabilidade.

De acordo com ele, de um tempo para cá tem ocorrido a transição de uma economia tradicional para a modalidade colaborativa, ou seja, uma economia de fato regenerativa. “Incorporamos práticas de uma economia circular e estamos colocando em atuação o conceito de descarbonização da economia. Hoje, a sustentabilidade não é mais escolha. É condição. Não é mais custo. É investimento. Lucro e responsabilidade andam juntos e produtos com menos impacto, menos emissão, terão mais valor, mais atratividade”, complementou.

Os diretores das Micro-Química e da Toyota, empresas vencedoras de edições anteriores do Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental, apresentarem os seus cases reconhecidos pela comissão julgadora em edições anteriores e falaram da importância de terem um projeto certificado pela premiação.

Clique aqui para assistir à íntegra da cerimônia do 26º Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental.

Conheça as empresas vencedoras do 26º PRÊMIO FIESP DE MÉRITO AMBIENTAL

CATEGORIA MÉDIO E GRANDE PORTE

HYUNDAI – Sustentabilidade nos processos produtivos da Hyundai Motor Brasil

A fábrica da Hyundai Motor Brasil foi inaugurada em 2012, no município de Piracicaba, interior de São Paulo, com capacidade de produção anual de 220 mil carros. A unidade fabril da Hyundai Motor Brasil possui três prédios produtivos, além de um centro de pesquisa e desenvolvimento e uma área responsável por utilidades da fábrica.

A iniciativa da companhia foi reconhecida como a mais importante desta edição do 26º Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental. Para participar, a Hyundai apresentou os principais projetos desenvolvidos nos últimos anos, separados por departamentos, com a temática de sustentabilidade.

LOGÍSTICA – O departamento de logística da Hyundai, responsável pelo recebimento, armazenamento e distribuição das matérias-primas e insumos para a produção, identificou que uma das maiores fontes de geração de resíduos recicláveis se encontra nas embalagens e formas de recebimento de peças e demais partes do veículo de fornecedores e, com isto, buscou otimizar o procedimento de envio dos materiais. Não foi necessário investimento algum, apenas a conscientização da não geração de resíduos junto aos parceiros.

ESTAMPARIA – A principal matéria-prima para o processo de estampagem das partes da carroceria do veículo é o aço, recebido na Hyundai em forma de bobinas com espessuras e larguras específicas para determinados moldes da carroceria. Durante o processo de corte das chapas de aço havia a perda de uma significativa parcela destinada, posteriormente, para a reciclagem. Houve uma redução na largura das bobinas fornecidas a fim de se evitar o desperdício dessa matéria-prima nos processos de corte e estamparia. Além disso, visando minimizar ainda mais as perdas, também foi implantada uma caixa coletora dos cortes das chapas de aço desprezadas pelos moldes. Esse material recolhido é utilizado por fornecedores de itens metálicos para a confecção de pequenas peças da carroceria de dois modelos de veículos.

PINTURA – Após o processo de estampagem e solda da carroceria, faz-se necessário preparar o veículo para receber tinta e verniz. Na etapa de retirada das impurezas, os diversos enxágues demandam alto consumo de água. Assim, foi alterada a posição de entrada de água e instalado um medidor de vazão para controlar a entrada dela no tanque. Para que a secagem seja efetiva, as estufas precisam ser aquecidas. A companhia decidiu reduzir em quatro horas o tempo de acionamento das estufas sem comprometer a qualidade do processo.

TROCA DAS LÂMPADAS CONVENCIONAIS POR LED – Este projeto teve como objetivo a substituição das lâmpadas convencionais (vapor metálico) por luminárias LED em todo o sistema viário existente nas dependências da Hyundai Motor Brasil e da pista de testes dos veículos produzidos, com vistas à redução do consumo de energia elétrica, da geração de resíduo perigoso (lâmpadas de vapor metálico), bem como aumento da vida útil desses produtos.

MENÇÕES HONROSAS  – GRANDE PORTE

– Camargo Corrêa Infra Construções – Redução do impacto de obras de infraestrutura com a implementação de indicadores proativos;

– Energisa Sul-Sudeste Distribuidora de Energia S.A. – Balanço energético positivo mediante a compostagem de resíduos de poda arbórea e de escolas realizado no programa de eficiência energética do Grupo Energisa;

– Pastifício Selmi S.A. – Semi Transforma;

– Termotécnica Ltda – Programa Reciclar EPS – Da logística reversa a novos produtos; e

– Whirlpool Latin America  (unidade Rio Claro) – Projeto Guardiões Ambientais.

 

VENCEDORA NA CATEGORIA MICRO E PEQUENO PORTE

Eco Panplas – Reciclagem a Seco de Embalagens Plásticas Contaminadas

A Eco Panplas desenvolveu, em um período de três anos, solução tecnológica que descontamina e recicla ecologicamente os recipientes de plástico, sem usar água ou produzir resíduos. O processo utiliza um desengordurante ecológico formulado pela companhia que pode ser separado do contaminante, mantendo as características de ambos.

Portanto, é possível recuperar o desengordurante para reutilização e o contaminante, o óleo, para venda. A tecnologia, 100% brasileira, também é única deste tipo no mundo. Envolve uma linha de produção automatizada de alta capacidade, composta por equipamentos que executam nove processos, cuja operação é 30% mais barata que o processo de água usado hoje pelos concorrentes. Melhor ainda, o processo produz um plástico reciclado de excelente qualidade, que pode ser transformado em novas embalagens compostas por 100% de material reciclado.

De acordo com o CEO da Eco Panplas, Felipe Cardoso, o modelo de negócios da companhia se baseia no seguinte: “Compramos as embalagens de empresas ambientais que as coletam em postos de gasolina, oficinas e revendedores; realizamos nosso processo e vendemos o óleo para a indústria de refino e essa matéria-prima para a indústria de embalagens, que pode fabricar uma nova embalagem de óleo, sem o uso de material virgem e com 10% de redução de custos, realizando uma verdadeira economia circular. Além de ter um custo menor, nossa intenção não é ganhar dinheiro, mas, sim, prestar serviço a quem precisa destinar adequadamente [esse resíduo]. Ainda compramos as embalagens contaminadas para realizar o nosso processo”, explicou.

Nos últimos 2 anos, a Eco Panplas iniciou sua operação, em escala de produção, em sua planta produtiva localizada em Hortolândia, no interior de São Paulo. Nela, processou 10 milhões de embalagens, recuperando mais de 500 toneladas de plástico, comercializadas com a Braskem, e 17.000 litros de óleo, vendidos para refinar à indústria Lwart, que produziu novo óleo.

MENÇÕES HONROSAS – MICRO E PEQUENO PORTE

– Petroperfil Indústria de Perfis Plásticos Ltda. – O caminho do perfil plástico na cidade de Itupeva, São Paulo; e

– Polpel Recuperação e Comércio de Fibras de Aparas de Papel Ltda. – Reciclagem do Papel Liner: uma opção sustentável e o retorno da sua cadeia produtiva.



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