10/12/2020

Mariana Soares, Agência Indusnet Fiesp

Dar nova destinação a um veículo, quando se aproxima o fim de sua vida útil, com a reutilização de forma sistemática de suas peças e componentes traz benefícios ambientais, sociais e econômicos a uma nação.

Com base nessa argumentação, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) capitaneou, durante todo este ano, a criação de um grupo de trabalho que inclui organizações e entidades responsáveis pelos seguintes componentes e partes veiculares: eletroeletrônicos, pneus, baterias automotivas, óleos lubrificantes, metais e catalisadores.

O Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) estima que a indústria de reciclagem automotiva, no Brasil, tem potencial de mobilizar US$ 7,5 bilhões ao ano e empregar 30 mil pessoas, gerando oportunidades. A atual frota circulante de automóveis, no território nacional, soma 58 milhões de unidades com idade média de 15,2 anos, de acordo com o Anuário 2019 da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Ou seja, há material de sobra para que um sistema de recuperação de carros seja executado e renda frutos positivos.

Sob a liderança da Fiesp, o grupo se reuniu na última quarta-feira (9/12) com o propósito de apresentar o primeiro projeto-piloto de reciclagem veicular, com previsão de reciclar cerca de 500 carros por mês a partir de janeiro ou fevereiro de 2021. O encontro, em formato virtual, ocorreu durante reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da entidade.

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, reconheceu a dedicação dos integrantes do Cosema que estiveram e continuam à frente do trabalho de articulação deste projeto-piloto: “São iniciativas como essas que farão o país se tornar uma nação desenvolvida. É por isso que nós buscamos incansavelmente parcerias, articulações em prol do Brasil e da sociedade”, afirmou, dando ênfase à importância do projeto para a indústria e a sociedade.

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O  presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, reafirmou o valor das parcerias em prol do desenvolvimento do país. Fotos: Karim Khan/Fiesp

As entidades que integram o grupo já têm um trabalho voltado à reciclagem veicular. São elas: Gerdau, Reciclanip, Instituto Brasileiro de Energia Reciclável (Iber), Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais (Sindirrefino) e Grupo Solví. Os componentes e as peças serão desmembrados e cada organização será responsável por dar uma destinação útil a eles.

A Gerdau terá como atribuição algo que já faz parte de sua rotina: adquirir os veículos nos leilões do Departamento de Trânsito de São Paulo (Detran-SP). A empresa usa o metal das carcaças na produção do aço. A Reciclanip cuidará dos pneus inservíveis; o Iber será responsável pelas baterias automotivas; os óleos lubrificantes estarão por conta do Sindirrefino; e o Grupo Solví fará a reciclagem dos catalisadores.

A gestora de contas da Gerdau, Graziela Grando, explicou que a companhia já tem um programa de reciclagem da carcaça de veículos, com capacidade de reaproveitamento anual de 11 milhões de toneladas de sucata ferrosa. Maior empresa brasileira produtora de aço, a companhia também é líder entre as recicladoras de sucata ferrosa da América Latina e o reaproveitamento desse material carrega um componente importante para o meio ambiente: a redução de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Grando adiantou que a operação do projeto-piloto de reciclagem veicular será dividida em quatro etapas. Na separação, que é a fase inicial, são afastados todos os materiais que não são aproveitados no processo da produção do aço. Na segunda etapa, o empacotamento que densifica o material e otimiza o frete. Em seguida, vem a trituração, na qual o material é preparado com a utilização de um equipamento chamado shredder, capaz de processar 220 carros por hora. E, por fim, a industrialização.

“A industrialização é quando o material entra no nosso processo para se transformar em outros produtos para as mais diversas aplicações. Depois desta última etapa, o material reutilizado abastece os fornos da indústria, juntamente com outros insumos, para produzir o aço. Finalizando o ciclo, temos a nossa linha de produtos, que atende aos mercados da construção civil, agropecuária, e também o setor automotivo”, disse Graziela.

O presidente do Cosema, Eduardo San Martin, reforçou que este é um projeto integralmente idealizado pela cadeia produtiva, pelo setor privado. No entanto, fez questão de esclarecer o quão seria importante ter os gestores públicos engajados na ideia. “Nosso caminho é acreditar que podemos vencer os desafios e trabalharmos juntos para gerar progresso para o país e os brasileiros. Iremos pleitear que os governos pensem na ideia de redução da carga tributária dos veículos novos para incentivar os proprietários de carros com muitos anos de uso a fazer a troca sem sacrifício financeiro. Dessa forma, com frota renovada, teríamos uma redução de gastos em vários setores para as gestões”, explicou San Martin.

Os próximos passos e os primeiros resultados do projeto-piloto com incentivo à reciclagem de veículos serão conhecidos ao longo de 2021.

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Eduardo San Martin reforçou que o projeto é integralmente idealizado pela cadeia produtiva, pelo setor privado, mas o ideal é que os gestores públicos participem da iniciativa

Acesse a apresentação dos participantes nos links abaixo:

SolviSindirrefinoReciclanip, IberGerdauAnícia Pio (DDS).



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