12/8/2019

Mariana Soares, Agência Indusnet Fiesp

Mais da metade da frota de veículos do Brasil, aproximadamente 71 milhões, tem acima de 10 anos de uso, um dos fatores agravantes da qualidade do ar no país.

No segundo dia do seminário O ar que respiramos, no dia 8/8, foram abordadas algumas alternativas a fim de melhorar as características atmosféricas do Estado de São Paulo e do Brasil, tais como renovação da frota e inspeção veicular. No debate, espaço também para as emissões de gases poluentes originados pelos transportes aéreo e marítimo, além das possíveis soluções possíveis com as fontes de energia mais limpa.

Para Marcelo Pereira Bales, do Setor de Avaliação de Emissões Veiculares da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a renovação da frota traz benefícios a toda a sociedade, mas é preciso estar atento a algumas possibilidades. “É um erro demonizar as pessoas que exercem alguma atividade econômica com veículos antigos, pois empregam e geram renda. É importante criar mecanismos para que se torne vantajoso abrir mão de um carro velho para a obtenção de um seminovo, por exemplo”, ponderou.

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O diretor de Tecnologia do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Gábor Deak, reforçou que a Inspeção Técnica Veicular (ITV) é necessária para que a frota circulante esteja dentro dos parâmetros tolerados para as emissões. “No período em que esteve vigente, a ITV ajudou a diminuir não apenas a poluição do ar, mas também retirou veículos inadequados de circulação e reduziu o número de acidentes”, considerou.

Atualmente, não existe nenhum mecanismo que responsabilize os proprietários de veículos. “A indústria automobilística tem investido para utilizar novas tecnologias que reduzem poluentes. Carros antigos poluem mais, mas não basta renovar a frota se a ITV não se tornar obrigatória”, completou Gábor.

De acordo com José Maurício Andreta Jrvice-presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), apenas 13 milhões de veículos circulantes no país têm entre 0 e 5 anos de uso. “A renovação de frota é essencial, mas precisa ser feita de modo gradual, atrelando-se a obrigatoriedade da ITV em rede autorizada de concessionárias, com equipamentos bem aferidos e com pessoal técnico treinado”, sustentou.

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Inspeção veicular deve ser um processo dinâmico e com aplicação de tecnologias inovadoras

A Inspeção Técnica Veicular (ITV) é uma avaliação realizada em carros que é capaz de verificar as condições de conservação, manutenção, bem como a qualidade dos gases emitidos pela frota examinada. Na cidade de São Paulo, o procedimento foi implantado em 2010 e extinto em 2013. Ao longo do seminário, especialistas apresentaram os aspectos positivos da ITV, além de novas ferramentas que podem auxiliar ou até mesmo substituir o sistema.

O gerente do departamento de Apoio Operacional da Cetesb, Carlos Ibsen Vianna Lacava, participou do encontro e reforçou a importância do programa de inspeção, que existe em mais de 60 países há mais de 40 anos. Lacava descreveu como o procedimento é realizado. A fiscalização é feita em duas etapas. A inspeção visual averigua vazamentos de óleo e emissão de fumaça visível, além de verificar a presença e o estado de manutenção de equipamentos obrigatórios. Após essa etapa, a segunda mede as emissões. Nos carros a álcool, gasolina e flex são aferidos monóxido de carbono (CO), e hidrocarboneto. Já no caso dos veículos a diesel, a medição é de material particulado.

“Nós, da Cetesb, enquanto agência do governo do Estado de São Paulo, responsável pela fiscalização e pelo monitoramento de atividades geradoras de poluição, temos que atuar também para engajar a população com as ferramentas de controle de emissões”, disse.

Uma das formas de envolver a sociedade no esforço coletivo, que é o de melhorar a qualidade do ar por meio da redução da emissão de gases veiculares, é apresentar alternativas de controle do problema. Uma ferramenta que pode solucionar a questão foi apresentada, pela primeira vez no Brasil, na Fiesp, durante o seminário O ar que respiramos.

É um equipamento inédito de sensoriamento remoto para medição de gases veiculares que têm a capacidade de avaliar as emissões em situações de uso real, que permite a identificação de veículos com boa manutenção e emissão baixa ou com emissão muito alta para os padrões originais. A tecnologia foi desenvolvida nos Estados Unidos e mais recentemente foi implementada em várias cidades europeias.

“Esta medição leva 1 segundo e cada equipamento pode medir mais de 1 milhão de veículos por ano, o que pode substituir ou complementar o antigo programa de inspeções por um monitoramento em tempo real, muito mais barato”, informa Fábio Cardinale Branco, consultor da Remote Sensing do Brasil.

Eduardo San Martin, presidente do Conselho de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), chamou a atenção para a ferramenta apresentada por Fábio e alertou que combater a poluição atmosférica é uma medida de saúde pública. Trata-se de “uma alternativa eficiente e tecnológica que permite aferir as desconformidades quando não há a inspeção ou ser um apoio importante para procedimento”, completou.

Na finalização do painel, informou-se que se todos os veículos da Região Metropolitana de São Paulo estivessem em conformidade com os graus de emissão, seriam registradas 1.490 mortes a menos em razão de problemas cardiorrespiratórios. Isto porque a fiscalização ou medição inibiria o lançamento o lançamento de material particulado.

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