24/1/2017

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Na primeira reunião de 2017 do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), nesta terça-feira (24/1), foram debatidos diversos temas de interesse para os especialistas, que foram de segurança hídrica e elétrica aos resultados da COP22, no Marrocos, realizada no ano passado.

O engenheiro civil Sadalla Domingos, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), apresentou projeto de pesquisa, em andamento, sobre “Geração Hidrelétrica e Abastecimento de Água na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê”. O objetivo do projeto é garantir o abastecimento e a geração de energia em projeto de solução convergente, levando-se em conta a extensa área impermeabilizada da área metropolitana de São Paulo, onde vivem 21 milhões de pessoas ou 10% da população brasileira, conforme alertou o palestrante.

Historicamente, as primeiras hidrelétricas aproveitavam a queda de água natural. Em um segundo momento, trabalhou-se revertendo-se as águas da Bacia para vertente marítima. A partir de 1942, previu-se a utilização plena do reservatório Guarapiranga, mas não havia água suficiente nas serras a fim de abastecer a metrópole e, por isso, se estabeleceu uma disputa com os reservatórios das hidrelétricas. Com maior demanda, passou-se a utilizar água de bacias vizinhas.

A proposta dos pesquisadores da Poli é transformar a usina Henry Borden em usina hidrelétrica reversível, com o objetivo de estabilizar o sistema de distribuição de energia elétrica e de oferta de água. Foi feito um diagnóstico, e o projeto poderia ser instalado no rio das Pedras, em Cubatão. “No Japão, toda hidrelétrica é reversível, nenhuma gota é enviada para o mar”, afirmou.

O vazamento da petrolífera britânica British Petroleum (BP) no Golfo do México foi considerado o maior acidente ambiental em termos de recursos envolvidos. Jayme de Seta Filho, ex-gerente da área de emergências da Petrobras, trouxe detalhes do desastre do Golfo, ocorrido em 20 de abril de 2010, quando houve perda de óleo, seguido de explosão e incêndio, prejuízos à flora e fauna. Saldo: 11 mortos, 36 horas de incêndio até a submersão da plataforma e vazamento de 3,2 a 5 milhões de barris. O vazamento só foi controlado em 17 de julho de 2010. Como causas apontadas, falha na integridade do poço, perda de controle hidrostático e falha na vazão.

De acordo com o especialista, o trabalho de contenção e resolução envolveu 100 mil pessoas, 6.500 navios, 3.500 km barreiras de contenção, US$ 29 bilhões nas ações de resposta e recuperação ambiental. Diversos países ajudaram na tarefa, especialmente o Brasil.

“Foi a maior mobilização de embarcações desde a II Guerra Mundial”, informou, com a participação de 6 mil navios, mais 6 navios sonda, além de 150 aeronaves. Tratou-se de uma excepcionalidade. Após o acidente, o setor de óleo e gás avançou em termos tecnológicos, de prevenção e resposta e sistema de gestão de crises”, avaliou.

Mais de cinco anos depois, segundo os relatórios, a área está limpa, após US$ 14 bilhões em limpeza de 1.100 milhas de costa e US$ 7,1 bilhões em projetos de recuperação ambiental.

COP22

Na Conferência do Clima, a COP 22 de Marrakesh, realizada no Marrocos, de 7 a 19 de novembro de 2016, conseguiu-se o impossível, o consenso no combate à mudança do Clima. O processo foi considerado irreversível pelas autoridades francesas, avaliou o tenente-brigadeiro do ar Aprigio de Moura Azevedo, diretor executivo de projetos da Fiesp. 2016 foi o ano mais quente desde 1880.

A COP22 se deu sob a influência da entrada antecipada (em 4/11/2016) do Acordo de Paris com a rápida ratificação do documento pelos países, em suas instâncias nacionais, que somaram 55% dos países signatários e mais de 55% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE). Em função dessa antecipação, não houve tempo hábil para estabelecer regras e diretrizes da CMA1 – instância operacional do Acordo de Paris – e seu regulamento de funcionamento. Por essa excepcionalidade, o Protocolo de Kyoto ainda permanece em vigor.

Ficou acordado que as atividades prosseguem no âmbito na COP23, a ser realizada em Bonn, no final deste ano, mas sob a presidência das Ilhas Fiji.

Em termos de resultado da COP22, pode-se apontar:

– o Fundo Verde contará com aporte de US$ 100 bilhões a partir de 2020 e concretização dos valores financeiros comprometidos, bem como financiamento de longo prazo;

– ações de adaptação sob o Acordo de Paris (com foco nos países insulares e africanos);

– programas de trabalho de enfrentamento e financiamento para perdas e danos, conforme estabelecido no Acordo de Varsóvia (com foco nos países insulares e africanos);

– participação do setor privado no estabelecimento de metodologia e regras para precificação do carbono e planejamento para a economia de baixo carbono;

– regras e facilitação para transferência de tecnologia;

– reconhecimento da necessidade de investimentos globais de, no mínimo, US$ 3 trilhões para incrementar a infraestrutura correlacionada à economia de baixo carbono com vistas à manutenção da temperatura do planeta 2º C abaixo do nível pré-industrial.



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