21/3/2017

Isabela Barros e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Que instrumentos econômicos aplicar para mudar a política do clima no Brasil? A questão esteve no centro das discussões de uma mesa redonda do seminário Mudança do clima e segurança hídrica: reflexos e impactos para a sociedade, realizado nesta terça-feira (21/03), na sede da Fiesp, em São Paulo.

A discussão foi moderada pelo brigadeiro Aprígio Eduardo de Moura Azevedo, diretor executivo de Projetos da Fiesp, e pelo pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, Luiz Gylvan Meira Filho.

Jailson de Andrade, da Seped, Secretaria do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, lembrou a recente aprovação da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2016/2022 para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. A premissa é a necessidade de uma revolução no ensino brasileiro.

A ENCTI tem temas estratégicos, incluindo água, alimentos e energia, que são vistos de forma integrada.  A partir do conceito de aumento de produção de alimentos e energia, com redução do consumo de água e insumos, são desenvolvidas ações setoriais.

Em relação ao clima estão em desenvolvimento sistemas como o Sirene, de registro nacional de emissões. Há também o Cemaden, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Nacionais, em São Paulo. Também a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas.

E há as Opções de Mitigação de Emissões de Gases de efeito-estufa em setores-chave do Brasil.

O principal desafio, disse Andrade, é a harmonização das políticas climática, energética, econômica, social e ambiental. “O Brasil precisa crescer, alcançar o desenvolvimento econômico e social sustentável”, disse.

Já Gylvan Meira destacou a importância da precificação para fazer com que o combate à mudança do clima, à redução das emissões, não afete a economia. “É necessário montar os sistemas econômicos para que o eventual ônus seja repartido por todos que se beneficiam dele, em vez de deixá-lo recair somente sobre um setor”, explicou.

Um bem livre

“Quando estudei Economia, lembro de ter lido, num livro, que a água era um ‘bem livre’”, disse a presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Única), Elizabeth Farina. “Esse cenário mudou muito e precisamos ter cuidado para não pensar a questão de forma isolada”. Segundo Elizabeth, é preciso avaliar com cuidado o custo de implantação de cada um dos instrumentos.

Nessa linha, o diretor do Departamento de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Adriano Santhiago de Oliveira, apontou a busca de financiamentos inovadores para a busca de mudanças no clima. E citou fundos como o da Amazônia e o Nacional do Meio Ambiente.

Mercado ativo

Segundo a presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes, o Brasil precisa plantar 12 milhões de hectares de florestas genuínas mais 5 milhões como integração com a lavoura e a agropecuária. “Precisamos ter em mente a geração de recursos se as condições econômicas não forem suficientes para estimular o uso de energias renováveis”. Para ela, o país precisa investir em energia de biomassa e plantar eucalipto. “Precisamos estimular a demanda por esses produtos, o mercado precisa estar ativo nesse sentido”.

DMA - Seminário Mudança do Clima e de Segurança Hídrica Reflexos e Impactos para a Sociedade. Demétrio Florentino de Toledo Filho (MDIC), Jailson de Andrade ( Min. Ciencia e Tecnologia), Elisabeth de Carvalhaes (Ibá), Luiz Gylvan Meira Filho (IEA - USP), Brig Aprigio de Moura Azevedo, João Guilherme Sabino Ometto, Elisabeth Farina (Unica), Adriano Santhiago de Oliveira (Min Meio Ambiente), Aloísio Melo (Min da Fazenda), Beatriz Martins Carneiro (Comite Bras Pacto Global). foto: Helcio Nagamine

DMA – Seminário Mudança do Clima e de Segurança Hídrica Reflexos e Impactos para a Sociedade. Demétrio Florentino de Toledo Filho (MDIC), Jailson de Andrade ( Min. Ciencia e Tecnologia), Elisabeth de Carvalhaes (Ibá), Luiz Gylvan Meira Filho (IEA – USP), Brig Aprigio de Moura Azevedo, João Guilherme Sabino Ometto, Elisabeth Farina (Unica), Adriano Santhiago de Oliveira (Min Meio Ambiente), Aloísio Melo (Min da Fazenda), Beatriz Martins Carneiro (Comite Bras Pacto Global). foto: Helcio Nagamine

E isso num contexto em que os pequenos produtores sejam remunerados “pelos serviços ambientais que vão prestar à sociedade, como melhorar o solo e absorver carbono”.

Ainda sobre carbono, Aloísio Melo, coordenador geral de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Ministério da Fazenda, lembrou que a “descarbonização é um sinal de desenvolvimento”.  “Temos que fazer uma análise dos impactos”, afirmou. “A regulação embute custos e eles podem ser tão expressivos que anulam seus efeitos”.

Por isso o ministério estaria tentando cuidar dessas questões “de forma aberta e dialogada”.

Secretária executiva do Comitê Brasileiro do Pacto Global, Beatriz Martins Carneiro destacou o preço de US$ 100 pela tonelada de carbono. “A precificação é um caminho sem volta”.

Lição de casa

Demétrio Florentino de Toledo Filho, coordenação de Energia e Desenvolvimento Sustentável do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, disse que a pasta trabalha com questão há mais de duas décadas. “O que podemos controlar é se emissão vai ser mais ou menos ordenada e se os custos serão ou não proibitivos”, explicou.

Segundo ele, o foco deve estar na tecnologia de baixo carbono e na eficiência energética. “Temos uma lição de casa a fazer”, destacou. “Hoje sabemos que a água e a energia têm um preço, a emissão de carbono também tem que ter”.



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