17/11/2015

Lucas Alves

Os refugiados do clima já são realidade no Senegal, país da costa oeste da África que vive um processo de desertificação em áreas anteriormente produtivas. As mudanças climáticas levaram vento e areia para as terras que eram ocupadas por uma vegetação densa e pela agropecuária.

Vilarejos inteiros têm se mudado para buscar condições alimentares para as pessoas e seus animais, enquanto que os mais jovens buscam refúgio em países vizinhos, como o Gabão, e até em outros continentes, como Europa e América.

A situação dos senegaleses que foram obrigados a migrar para outras áreas ilustra o estudo “Grandes cataclismos: como abordar os efeitos das mudanças climáticas na pobreza”, que o Banco Mundial acaba de lançar, às vésperas da 21a Conferência da ONU Sobre Mudanças Climáticas (COP21).

O estudo afirma que é necessário promover um “desenvolvimento rápido, inclusivo e inteligente, e que leve em conta o clima e medidas importantes para a redução das emissões de gases de efeito estufa que protejam os pobres”.

Sem essas medidas de enfrentamento apontadas, o mundo poderá ter mais de 100 milhões de pessoas a mais vivendo na pobreza até 2030

Por outro lado, a ONU estima que mais de 50 milhões de pessoas serão forçadas a migrar nos próximos dez anos em função do processo de desertificação em áreas atualmente agriculturáveis. Isso poderia provocar uma nova crise migratória, a exemplo do que vem ocorrendo na Europa.

As populações serão forçadas a mudar em função da perda de colheitas pela diminuição das chuvas e pela ampliação das áreas de deserto. Este cenário promoveria um aumento descontrolado no preço dos alimentos e maior incidência de doenças devido às fortes ondas de calor e frequentes inundações.

O estudo do Banco Mundial aponta que as pessoas mais pobres estão mais expostas a esses tipos de eventos climáticos extremos e que elas têm maior dificuldade de recuperar seu patrimônio quando se perde.

De acordo com a organização britânica Water Aid, somente em Bangladesh há cerca de 38 milhões de pessoas em risco por conta do potencial dos desastres associados às mudanças climáticas.



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