24/08/2017

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

O uso eficiente de energia nos sistemas de saneamento foi tema debatido nesta quarta-feira (23 de agosto) durante o workshop Eficiência Energética no Saneamento Básico, promovido pelo Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra).

Um dos pontos destacados para a conquista dessa eficiência foi o uso de automação no sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário, que permite saber em tempo real onde ocorrem as falhas e assim as ações a serem tomadas.  “Não adianta ficarmos desenhando projetos e o mercado não estar preparado para atender. O mercado precisa se preparar para fazer o teste do que é prometido e comprovar. A nova lei prevê que toda estatal busque eficiência energética”, argumentou Gisele Abreu, chefe do departamento de gestão energética da Sabesp.

Ainda segundo Gisele, há um estudo que aponta que existe um potencial de economia de 35% no consumo de energia elétrica, “porém a grande dificuldade do operador do saneamento é encontrar esse potencial para economia”, apontou.

A Sabesp faz trabalho de diagnóstico das operações para levantar potencial de economia. Entre as análises feitas, 47% da carga de bombeamento de água foi classificada como mediana e boa. “Começamos pelos grandes bombeamentos, feitos sob medida, por isso era esperado mesmo que tivesse uma eficiência grande”, contou.

Ainda durante sua fala, Gisele apresentou modelo de projeto já implantado e que classifica como sucesso. “Em 2015, em parceria com a CPFL, fizemos três elevatórias em série no Sistema Pouso Alegre. Tivemos redução de 17% do consumo de energia.  Foi um projeto de sucesso. Essa elevatória é responsável por 20% do consumo de Franca”, contou.

Outra alternativa apresentada foi a de sistema de recirculação de água quente durante o banho e a troca de bombas por outras mais eficientes. “Há limite de eficiência do equipamento. Falta melhor controle de uso. As empresas têm custo com bombeamento, por isso, precisam estar instaladas no local mais adequado do ponto de rendimento. Precisa estar bem dimensionada”, destacou Marcelo Pustilnic, gerente de otimização de energia da Grundfoss.

Segundo Marcelo Souza, do departamento de engenharia operacional da Sabesp, 40% da perda de água está no processo. “A metodologia de automação do processo, a informação é importante no processo para tomada de ação. A automação é ferramenta de gestão no processo e esse processo se assemelha ao de energia elétrica, já que passa pelas fases de produção, transmissão para o consumo. A automação pode ser integrada por blocos”, detalhou.

Ainda segundo Souza, a automação permite redução de despesas do consumo de energia elétrica, índice de perda de água, otimização dos quantitativos de insumo na produção de água, otimização e embasamento de ações de manutenção e geração de banco de dados em tempo real.

De acordo com dados apresentados por Eduardo Moreno, diretor da Vitaluz Ecoativa e diretor do Deinfra da Fiesp, 55% do consumo de energia para saneamento está no Sudeste. “O custo de energia elétrica é mais representativo para o setor de saneamento. 80% do consumo das empresas de saneamento está focado no bombeamento de água. As perdas de água representam hoje cerca de 38% no setor como um todo. Esse porcentual representa 5,2 bilhões de metros cúbicos de água, o equivalente a 3,4 terawatts-hora por ano”, contou.

Automação no sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário foi um dos temas debatidos. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

Automação no sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário foi um dos temas debatidos. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp



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