2/6/2017

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp foi sede nesta quinta-feira (1º de junho) do lançamento da plataforma do Fórum das Nações Unidas (ONU) sobre padrões voluntários de sustentabilidade, em evento organizado também pelo Ciesp e pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), com apoio do Instituto de Desenvolvimento Alemão (DIE).

A nova plataforma, composta por cinco agências da ONU, tem como objetivo incrementar o acesso, sobretudo de países em desenvolvimento, a uma base de dados única sobre padrões voluntários de sustentabilidade, estabelecendo um canal de diálogo entre agentes públicos e privados sobre medidas desta natureza. Além disso, a iniciativa busca promover a melhora do desemprenho de empresas cujo processo produtivo baseia-se no uso de exigências voluntárias, ampliando o acesso de seus produtos em diferentes mercados.

Na avaliação do diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, o Brasil passa atualmente por um processo de transformação intenso, em que o contexto sustentável terá um papel irreversível e pautará o comportamento das indústrias e do consumo no futuro.

O coordenador-geral de Articulação Internacional do Inmetro, Jorge Cruz, por sua vez, explicou que a plataforma brasileira possibilitará a realização de novos estudos sobre sustentabilidade, que poderão ser compartilhados com outros órgãos de governo. Também contribuirá para identificar e unificar os avanços necessários para o tema no país.

Segundo a especialista em economia da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Denise Penello, a ONU realiza um esforço desde 2013 para facilitar a participação dos países em desenvolvimento nas discussões sobre sustentabilidade e nos movimentos de cooperação locais e mundiais.

Representatividade

Do DIE, o pesquisador sênior e chefe do Departamento de Treinamento, Thomas Fues, comentou que a criação da plataforma figura como importante passo no esforço de conectar iniciativas sobre o assunto.

De acordo com Fues, o DIE busca a ajuda da América do Sul no desenvolvimento de novas ideias para a questão da sustentabilidade global. “Estamos em um momento crítico. Se continuarmos assim teremos problemas inimagináveis nos próximos 15 anos”, alertou. “O setor privado deve ter uma participação efetiva, de liderança, nesse movimento de conscientização dos processos produtivos”.

A análise da questão sustentável agrega discussões sobre meio ambiente, padrões trabalhistas e aspectos econômicos da produção. A presidente do Comitê Brasileiro de Barreiras Técnicas ao Comércio (CBTC) e professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), Vera Thorstensen, destacou que não há no governo brasileiro, por exemplo, uma liderança que trate da área e organize as prioridades da agenda sustentável.

“É um ambiente novo, ainda de confusão imensa. Hoje temos a exigência de pelo menos 520 novos padrões, os chamados standards, mas quem dá seriedade a essas regras?”, criticou Vera. “Há algum órgão internacional que agregue essas boas práticas? Precisamos dessa resposta”, enfatizou.

O evento recebeu ainda a secretária executiva da Imaflora, Laura Prada, o diretor geral da Agroicone, Rodrigo Lima, a coordenadora técnica da Forest Stewardship Council (FSC), Fernanda Rodrigues, e o consultor sobre padrões voluntários de sustentabilidade Ulrich Hoffmann.

Fues, do DIE, alerta para a necessidade de atuação do setor privado nos próximos anos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp.

Fues, do DIE, alerta para a necessidade de atuação do setor privado nos próximos anos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp.



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