21/3/2017

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp lançou nesta terça-feira (21 de março) o estudo Mudança do Clima – Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira. A apresentação, a cargo de Angelo Gurgel, professor da FGV, foi feita na sede da Fiesp durante o seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para a sociedade.

Na abertura do evento, João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-presidente da Fiesp, disse que os fatos, a natureza e a sociedade obrigarão ao enfrentamento da questão climática. Ometto destacou o incentivo dado pelo presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, ao tema ambiental. Em relação ao evento, disse que dele sairiam grandes contribuições.

Walter Lazzarini, presidente do Conselho Superior do Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), lembrou do stress hídrico, incluindo os problemas em São Paulo e cerca de 6 anos de seca muito forte no Nordeste. Manifestou preocupação com a situação das agências norte-americanas de proteção ambiental. “Todos precisam fazer sua parte”, afirmou.

Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, disse que a pauta do evento é muito importante, destacando a discussão sobre gerenciamento de recursos hídricos. Também os instrumentos econômicos atinentes à mudança climática têm grande relevância, disse. O Código Florestal, em sua opinião, vai obrigar ao seu uso. Jardim listou iniciativas do Governo estadual em relação ao agronegócio. O Brasil poderá ter papel de protagonismo na economia de baixo carbono, que virá, afirmou.

Mesa de abertura do seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para a sociedade. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Mesa de abertura do seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para a sociedade. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Impacto das reduções na economia brasileira

Ao apresentar o estudo, Gurgel explicou que a ideia do levantamento é “pôr um pouco mais de ciência neste cenário em que o Brasil se encontra”. O modelo usado para o estudo, personalizado para o País, considera por exemplo a forte presença do etanol e a base florestal do país. Essa modelagem, segundo o pesquisador, vai além do usualmente adotado, considerando a reação de outras economias do mundo.

Se forem adotadas as medidas com as quais o Brasil se comprometeu na COP de Paris, o modelo mostra que as metas para 2030 seriam atingidas, mas depois disso as emissões voltariam a crescer, caso não sejam tomadas medidas adicionais. Para que isso não aconteça, uma opção é a precificação.

O modelo considerou a precificação de carbono, via tributação e instrumentos de mercado (cap-and-trade). Pela taxação é possível atingir a redução pretendida, com um custo, disse Gurgel. Usando o comércio de créditos de carbono também.

Em 2030, o PIB seria 0,8% menor que se não se tomassem as medidas previstas na COP (Business as usual-BAU: um cenário tendencial de emissões. Trata-se de um cálculo pelo qual se estimou qual seria a emissão em 2020 na ausência de políticas de controle de emissões e se propôs um conjunto de ações para colocar a emissão abaixo dessa tendência imaginária). Até 2030 a precificação via tributo não muda muito o panorama, mas o impacto negativo no PIB se acelera a partir daí, chegando a uma redução de 6,5% em 2050 em relação ao cenário sem esforço de redução das emissões.

Via cap-and-trade, o PIB seria 3% menor em 2050 sem a adoção de medidas contra a mudança climática. E se o esforço fosse feito apenas forçando a troca por energia renovável, o PIB seria 19% menor.

Para cada setor da economia há um custo diferente da precificação nos dois casos, tributação e cap-and-trade, de 3 dólares a 60 dólares por tonelada de carbono até 2030, conforme o setor. A proposta levada pelo Brasil a Paris, pelo modelo, parece ter sido bem feito, disse Gurgel, mas a partir de 2030 serão necessárias novas ações. Ele destacou, entre as conclusões do levantamento, que com tributos, o custo de mitigação é elevado. Do ponto de vista de custo-efetividade, um mercado amplo de permissões de emissões (cap-and-trade) tende a ser melhor. A necessidade de haver esforços internacionais coordenados é outra conclusão do estudo da Fiesp.

Conheça o estudo da Fiesp acessando o anexo.

http://www.fiesp.com.br/indices-pesquisas-e-publicacoes/mudanca-do-clima-avaliacao-dos-reflexos-das-metas-de-reducao-de-emissoes-sobre-a-economia-e-a-industria-brasileira/

Capa estudo Fiesp

 

FGV: simulação com dados reais

Mariana Nicoletti, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, apresentou, também no evento sobre mudança do clima e segurança hídrica, o estudo Simulação de Sistema de Comércio de Emissões. O início do projeto, na FGV, se deu em 2013, como instrumento didático, explicou. A simulação usa dados reais, fornecidos por 30 empresas de diversos setores em 2016, totalizando 60 MtCO2e. A negociação é feita numa plataforma online, da BVRio.

Uma conclusão do estudo, segundo Nicoletti, é que a alocação inicial gratuita (parcial) de permissões baseada em indicador de intensidade carbônica é vista pelas empresas como medida para minimizar impactos da precificação e reconhecer seu esforço (early action).

Também se concluiu que tanto “cap” absoluto quanto relativo são semelhantes. O mais importante é haver comunicação, monitoramento de performance e o ajuste contínuo dos parâmetros. A sinalização de preços estáveis é importante para o planejamento das empresas.

Para 2017 é previsto grupo maior, e serão feitas análises setoriais. Também deve haver aproximação com o Governo, para debate e aprendizado, disse Nicoletti.

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