4/4/2016

Amanda Viana, da Agência Indusnet 

Durante a reunião da Câmara Ambiental da Indústria Paulista (CAIP) realizada nesta quinta-feira (31/3), foi apresentado o posicionamento da Fiesp em relação a COP 21 (Conferência do Clima) e debatido como a entidade participa das negociações internacionais e nacionais.

Marco Antonio Ramos Caminha, assessor de assuntos nacionais e internacionais do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, afirmou que desde a COP 15, em Copenhague (Dinamarca), a Fiesp tem participado de forma ativa dessas negociações.

“Durante o ano passado nós trabalhamos muito o posicionamento da Fiesp para a COP que ocorreu em Paris, até porque ela iria definir um novo acordo sobre mudança do clima que passa a vigorar a partir de 2020”, disse o especialista.

Em função desse acordo, que abrange novas regras, o grupo técnico do Comitê de Mudança do Clima da Fiesp trabalha para quantificar os impactos que o compromisso brasileiro nesse novo Acordo poderão ocasionar, principalmente na indústria brasileira e nos setores economicamente mais sensíveis.

“Dessa forma, estamos trabalhando em um estudo que quantifica o impacto que isso teria na competitividade desses setores em função de um crescimento de PIB, fazendo projeções e cenários para 2020, 2025, 2030 e 2050”, explicou Caminha. “O Brasil se comprometeu em até 2025 reduzir em 37% suas emissões [de gases de efeito estufa] e um esforço adicional de reduzir em 43% até 2030, tomando 2005 como ano-base, e é isso que estamos levando em consideração nos nossos estudos que será apresentado na Fiesp quando ficar pronto”.

Caminha afirmou que, no final do ano passado, após uma série de consultas que o Governo fez ao setor privado, sociedade civil e ONGs, entre outros, foi elaborado o documento brasileiro com o posicionamento que o País levaria oficialmente para a COP. “Nesse documento, o Brasil defende todos os pontos que a Fiesp defendeu em seu documento de posição, dando uma grande importância à questão florestal, energia renovável e biocombustíveis.  Por isso, acreditamos que estamos trabalhando no caminho correto”.

Para Caminha, na COP 21 foi constituído um acordo enxuto que conseguiu estabelecer regras vinculantes comuns a todos os países, porém diferenciadas em função da situação socioeconômica e de desenvolvimento de cada um. “O Brasil como um país em desenvolvimento não poderia ter o mesmo nível de responsabilidade que os países industrializados e nem ser penalizado de alguma forma que viesse a impedir o seu movimento industrial”, avaliou.

Pela primeira vez foi estabelecida uma meta global para todos os países, explicou Caminha, na qual cada um deles assumiu um compromisso de ações junto à Convenção para conter até o final do século a elevação da temperatura abaixo dos 2°C com esforço para limitá-lo a 1,5ºC.

Segundo Caminha, a entrada em vigor do novo Acordo transforma as relações internacionais de comércio entre os países. “O Acordo cria a obrigação de que os processos produtivos, de modo geral, de agricultura, pecuária, indústria, sejam cada vez menos intensivos em carbono e que se trabalhe cada vez mais na captura e estocagem do carbono para evitar eventos climatológicos mais graves dos que já estão ocorrendo hoje”, concluiu.



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