6/10/2015

Lucas Alves 

O debate sobre a adoção de um modelo de desenvolvimento sustentável passa, inevitavelmente, pela geração, produção e consumo de energia, que é a atividade que mais emite gases de efeito estufa (GEE) no planeta.

O anúncio das metas de redução desses gases pelos países que participarão da Conferência do Clima das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21) está provocando uma discussão sobre até quando os combustíveis fósseis terão prioridade na matriz energética global.

É o que está acontecendo no Reino Unido, com a decisão do governo inglês de explorar o gás de xisto e construir novas usinas nucleares, em detrimento de investimentos outrora previstos em energias renováveis. O Greenpeace já alertou que a Grã-Bretanha tem potencial para comportar 85% de energia limpa em sua matriz energética, no ano de 2030.

Com o preço do barril de petróleo em queda, a exploração de gás de xisto nos Estados Unidos vem perdendo força desde que os custos de produção começaram a ficar acima do preço de venda. Ele só se mantém viável por conta da aposta de investidores de Wall Street, que inclusive já acumulam prejuízos.

No centro da discussão estão os problemas ambientais resultantes da exploração deste tipo de combustível. Estudos recentes evidenciam níveis preocupantes de vazamento de metano que haviam sido subestimados no momento de sua descoberta.

A notícia tem mobilizado o governo Obama, que recentemente apresentou as metas de redução de GEE dos Estados Unidos para COP21 e agora se viu obrigado a adotar uma ofensiva para combater o vazamento de metano. A estratégia é investir pesado em energias renováveis.

Por aqui, o governo adotou uma meta para a COP21 centrada no combate ao desmatamento, mas com a proposta de criar também um programa de investimento em energias renováveis.

Em junho deste ano, o Brasil havia anunciado, em conjunto com os Estados Unidos, uma meta de 20% de participação de fontes renováveis na matriz energética dos dois países. O acordo foi fechado na visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos.

O investimento em energias renováveis deverá contribuir com as metas de redução de GEE dos países na medida em que os combustíveis fósseis forem perdendo espaço no debate sobre o futuro do clima no planeta.



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