Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Tempo de discutir oportunidades. Esse foi o objetivo do Workshop de Infraestrutura – Energia “O Futuro da Energia Nuclear no Brasil”, realizado na manhã desta quarta-feira (07/11), na sede da Fiesp, em São Paulo.  O debate foi moderado pelo diretor da divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da federação, Abel Holtz.

Vice-presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), Orpet Peixoto destacou que a energia nuclear é “sustentável e “pode ser colocada perto do consumidor”. “E não depende do clima, registrando um fator de capacidade muito bom, que poderia compensar a sazonalidade observada na energia elétrica”, explicou.

Segundo Peixoto, uma central nuclear gera 14 mil empregos em sua construção. “É programa estruturante sob muitos aspectos”.

Ele informou ainda que as três usinas do tipo instaladas em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, bateram recorde de geração em 2016. “Defendemos a retomada imediata de Angra 3 e sua conclusão em até oito anos”, disse. “O país precisa de um programa nuclear firme e claro, apoiado pelo Estado”.

Assessor da diretoria Técnico Comercial da Amazul, empresa estratégica de defesa e promoção do Programa Nuclear Brasileiro e do Programa Nuclear da Marinha, Luiz Antônio de Moura foi outro participante do evento. Ele apresentou os principais projetos da Amazul, como o submarino nuclear. “Primeiro construímos submarinos convencionais”, disse. “Depois, houve a transferência estratégia de tecnologia a partir de acordo com a França, que nos permitiu trabalhar nas versões com propulsão nuclear”, explicou. “Hoje temos um reator nuclear projeto no Brasil”.

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O workshop sobre o futuro da energia nuclear: necessidade de planejamento e ação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Moura destacou ainda o projeto do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), com aplicação inclusive na chamada medicina nuclear, área na qual “existe toda uma carência no país, com apenas 330 clínicas médicas apoiadas na modalidade”. “Proporcionalmente, é apenas um terço do que tem a Argentina na área, por exemplo”.

Estratégia

Pesquisador associado do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, Renato Queiroz afirmou que há uma transição energética em curso hoje, com a necessidade de considerar fatores inclusive políticos e estratégicos. Isso em todos os países do mundo, cada um com as suas características. “Temos um menu muito grande de fontes, cada nação tem que saber para onde vai”, disse.

Conforme Queiroz, “o Brasil sempre teve grandes projetos estruturantes”, o que está em falta nos últimos. “Temos uma agroindústria forte e vamos exportar sementes?”, questionou. “Precisamos incluir a energia nuclear dentro dessas metas”.

Nessa linha, Angra 3, com capacidade instalada de 1.405 MW, teve suas obras iniciadas em 1980. Um projeto com orçamento total de R$ 17 bilhões e que “precisa ser concluído”. “Vamos discutir alternativas de implementação”, disse. “Como vender uma participação minoritária para algum sócio estrangeiro, fazer aportes diretos do Tesouro ou uma associação com as demais empresas do Grupo Eletrobras, por exemplo”, explicou.

Coordenador de Projetos da FGV Projetos, Otávio Mielnik destacou a racionalidade (diversificação, geração de base e matriz limpa), a sustentabilidade (segurança energética, econômica e ambiental) e o desenvolvimento de uma base produtiva (cadeias globais de valor, impactos sobre a geração de emprego e renda e estratégia de longo prazo) para a geração de energia nuclear no país.

Segundo ele, são necessários de oito a dez anos para construir uma central nuclear e é preciso debater formas de reduzir esse tempo. “O fator tempo é determinante para o custo”, disse. “Enquanto não começa a gerar, uma empresa dessas custa”.

Conforme Mielnik, a França tem 70% de sua geração elétrica em fonte nuclear. “Precisamos ter uma estratégia de longo prazo na área no Brasil”, disse. “Pensar em modularização e padronização, formação de economias de escala e custos de geração elétrica decrescentes”, explicou. “Com a implantação gradual da matriz elétrica sustentável ao horizonte de 2050”.

Para Holtz, o tema exige ação do Estado “com muita firmeza”. “Há sempre uma preocupação com pontos como uma bomba nuclear, o que não é uma questão que se aplica ao Brasil”, disse. “Temos que pensar na finalização de Angra 3, num projeto de longo prazo na área”.



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