28/8/2019

Agência Indusnet Fiesp

Os indicadores de saneamento do Estado de São Paulo, como fatores da despoluição dos rios, pautaram a reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp nesta terça-feira (27/8).

Pedro Scazufca, pesquisador do Instituto Trata Brasil, apresentou dados do ranking 2019 de saneamento, que considera, entre os critérios de avaliação, a eficácia no atendimento, o esforço para a universalização do esgoto, e a produtividade na operação. Os dados, baseados em números do Ministério do Desenvolvimento Regional, mostraram que entre as 100 maiores cidades do Brasil, 20 possuem melhores indicadores, com 11 localizadas no Estado de São Paulo, sendo que Franca e Santos são as primeiras colocadas. “Vemos que há uma grande concentração no Sul e Sudeste de cidades com melhores indicadores de saneamento. Entre as 20 piores cidades, temos, no Sudeste, o munício de Guarulhos, e o de Porto Velho, no Norte. No país, são 35 milhões de brasileiros que ainda não têm acesso à água na rede pública”, avaliou o expositor.

Em relação ao esgotamento sanitário, o Brasil possui 52% dos municípios com coleta, mas entre as 100 melhores cidades, o indicador chega a 72%. Quanto ao indicador de esgoto tratado em relação à água consumida, este está presente em 46% dos municípios do país, e em 55% nas 100 maiores cidades. “Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), os indicadores de coletas estão acima da média nacional. São Paulo está na 16ª posição, com bons indicadores de atendimento em água e coleta e com desafio maior ainda em tratamento. Os indicadores de investimentos mostram que, em 2017, o Brasil investiu R$ 10,9 bilhões, e as 100 maiores cidades, R$ 5,9 bilhões. Deveríamos estar investindo o dobro disso para alcançar a meta de universalização do serviço”, reportou.

Quanto ao indicador de tratamento, que compara o volume de esgoto tratado com o de água consumida, a metodologia usada pelo Instituto considera que a cada 100 litros de água consumida, 80% vão para a rede de esgoto. Sendo assim, o município que alcança esse porcentual é o que possui praticamente a universalização do tratamento. Enquanto o Brasil tem uma média de tratamento da ordem de 46%, as 100 maiores cidades têm 55%. Acima dessa faixa estão os municípios de Mauá (72,5%), São Paulo (61,8%), Mogi das Cruzes (60,9%) e Suzano (64,2%). Entre as faixas mais baixas ficam Santo André (35,1%), São Bernardo (34%), Taboão da Serra (33%), Carapicuíba (28%), Osasco (25%), Diadema (18%), Itaquaquecetuba (7%) e Guarulhos (3%). “O desafio está em aumentar o tratamento, inclusive no esgoto que está sendo coletado”, disse o pesquisador.

As perdas de água também foram abordadas por Scazufca. A média brasileira está próxima de 38%, das 100 maiores cidades, 40%, e pontuou que “temos o desafio de pensar também em como estimular as pessoas a se conectarem na rede”.

Despoluição dos rios em São Paulo

Na reunião também se debateu a despoluição dos rios, que teve a discussão iniciada por Roberto Teixeira França, ex-coordenador do Plano Diretor de Esgotos da RMSP. Para ele, a qualidade das águas ainda é muito baixa e lembrou do Projeto Tietê, cujo investimento já alcançou US$ 2,9 bilhões. “O governo de São Paulo lançou o projeto Pinheiros, o qual considero totalmente válido, mas que não deveria ficar apenas no rio Pinheiros. Além disso, não pode ser lançado um programa como esse com data final para resolver o problema”, em sua avaliação.

Para França, a dificuldade desse projeto está na implantação de redes nas bacias. “Hoje, as estações de tratamento não recebem tanto esgoto. Ou seja, o esgoto coletado não chega na estação de tratamento por falta de coletor tronco ou receptação e, boa parte desse esgoto, é lançado no próprio córrego”, sinalizou.

O plano diretor de esgotos da RMSP, criado em 1977, revisado em 1985 e em 2010, está para entrar novamente em revisão. De acordo com França, uma das propostas seria captar os córregos e jogá-los no interceptor. “Em época de seca, o córrego não é água, mas esgoto. Na época de chuvas, a diluição é enorme. Nesse caso, podemos jogar no rio ou levá-los para tratamento, afastá-los e depois dispensar essa água. Além disso, precisamos criar um plano de melhoria das águas, destinado às escolas, para que as crianças aprendam sua importância”, sugeriu.

Hugo Sergio de Oliveira, ex-presidente da Agência de Energia e Saneamento do Estado de São Paulo, falou sobre a despoluição do rio Tietê, aspectos econômicos e financeiros e abriu sua fala destacando que “estamos gastando há 40 anos e não conseguimos avançar”. Oliveira apresentou dados da 4ª etapa do Tietê, que prevê a construção de 360 km de rede, melhorias tecnológicas e instalação de 400 mil ligações domiciliares, vinculadas à bacia do Pinheiros “É a partir daí que o governo de São Paulo monta o programa Pinheiro Novo”, disse.

A reunião foi presidida por Eduardo San Martin, presidente do Cosema.

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