6/11/2017

Solange Sólon Borges

A adequação do Brasil a fim de cumprir o compromisso assumido no Acordo de Paris, obtido em 2015, por meio da NDC – Contribuição Nacionalmente Determinada –  custará ao país R$ 316 bilhões até 2030 só em iniciativas do setor elétrico. Esse montante será  investido em geração e distribuição de energia e é R$ 15 bilhões superior ao número previsto pelo Plano Nacional de Energia (PNE).

Essa avaliação e cálculo se encontram no estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) – Implicações da COP 21 para o Setor Elétrico.

Na NDC brasileira, redução em 43% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2030. Nesse sentido, a geração de energia renovável precisa se elevar em 23% na matriz, mas sem considerar as hidrelétricas como fonte renovável. Assim, os investimentos em fontes como eólica, solar e biomassa deverão ser R$ 15 bilhões maiores do que os R$ 301 bilhões previstos pelo PNE até 2030, o que equivale ao que foi arrecadado nos sete últimos leilões de energia hidrelétrica nova (2.800MW).

Segundo o estudo, “a distinção entre renováveis hídricas e não hídricas do acordo contraria um posicionamento histórico do Brasil em defesa da hidroeletricidade e contra a tentativa de caracterizá-la como fonte não renovável”, destaca o estudo da CNI.

O PNE projeta aumento da oferta de energia vinda de fontes convencionais como a térmica e a hidrelétrica, mas o Acordo de Paris desconsidera a hidrelétrica como energia renovável e requer mais investimentos em fontes alternativas.

Ainda segundo o estudo, o Acordo de Paris desconsiderou nas metas a crise econômica enfrentada pelo Brasil e levava em consideração um crescimento, em média, de 4,4% ao ano até 2030. Nesse sentido, a meta assumida pelo Brasil ficará defasada até lá. “Como ilustração, se for admitido crescimento de 1% para 2017 e que 2018 e 2019 terão crescimentos respectivos de 2,5% e 5%, seria necessário crescer 6% ao ano entre 2020 e 2030 para que a premissa de crescimento econômico da COP 21 fosse válida”, detalha o estudo.

Além de estabelecer o aumento da produção de energia renovável em 23%, o compromisso do Brasil prevê a ampliação em 10% da eficiência no setor elétrico. Mas devem ser levados em conta outros desafios para o setor elétrico, como a incerteza sobre a disponibilidade de energia. Se o Brasil reduzir os investimentos em hidrelétricas, será necessário ampliar a disponibilidade de gás natural, carvão e óleo a fim de controlar as variações características das fontes renováveis, conforme alerta o estudo.

Com informações da CNI

Acesso o estudo no anexo.

http://www.portaldaindustria.com.br/publicacoes/2017/11/implicacoes-da-cop-21-para-o-setor-eletrico/

 

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