Solange Sólon Borges

1º/12/2018

Uma coalizão formada pelo Brasil e outros países lançou na Conferência do Clima (COP 24), o relatório “Criando o Biofuturo”. Esse documento traz as metas mundiais de redução de gases do efeito estufa (GEE) apontando que elas não serão atingidas se não for incentivado o uso de biocombustíveis e bioprodutos para uma bioeconomia sustentável de baixo carbono a fim de garantir crescimento e segurança energética nessaa luta contra as mudanças climáticas. O tema resultou em evento paralelo na Conferência.

O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, disse que o Brasil, junto com o Canadá, lidera o caminho para os programas de descarbonização de combustível, por meio dos Padrões de Combustíveis Limpos e as políticas da RenovaBio”, afirma.

A Argentina e o Reino Unido têm aumentado as metas de biocombustíveis e a União Europeia já disponibilizou, na prática, a nova diretiva de energia renovável, com metas para os biocombustíveis.

De acordo com o relatório Criando o Biofuturo e o Painel Intergovernamental sobre Clima Mudança (IPCC), os biocombustíveis e bioprodutos têm papel fundamental no cenário necessário de transição energética global, que se somaram a outros esforços complementares de mitigação em todos os setores.

Há alguns obstáculos a serem superados, tais como a falta de dinheiro para a produção em escala comercial, um empecilho à pesquisa e ao desenvolvimento; a baixa competitividade dos biocombustíveis frente aos combustíveis fósseis; e, ainda, o suprimento insuficiente de fonte sustentável para uso em sua produção.

“Sua participação no consumo total de energia renovável no mundo é de cerca de 50%. Tanto quanto a energia hídrica, eólica, solar e todas as outras fontes renováveis combinadas”, segundo afirmou Fatih Birol, diretor executivo do International Energy Agency (IEA).

Cerca de 131 bilhões de litros de biocombustível são produzidos anualmente, em um mercado avaliado em aproximadamente 170 bilhões de dólares, também por ano. Isso vem principalmente das vendas de etanol de primeira geração e biodiesel. A produção global de biocombustível deve subir para 222 bilhões de litros por ano, até 2025, para estar de acordo com os cenários desenvolvidos pela IEA e pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA).

RENOVABIO – Na indústria brasileira, a energia renovável representou 58% do consumo total, ante 7,6% na média mundial. Nos transportes, sua participação foi de 20%, contra 3% no resto do mundo (Fonte: Balanço Energético Nacional 2017). A previsão da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) é de elevar para 28,6% a participação de renováveis na matriz de combustíveis até 2028. Serão 36 bilhões de litros de etanol e 11,1 bilhões de litros de biodiesel produzidos anualmente. Esse patamar representará a redução em 10,1%, até 2028, da intensidade de carbono da matriz de combustíveis nacional, a fim de atender o Acordo de Paris”. Com o impacto da nova política, as emissões em 2028 deverão cair de 425 milhões de toneladas de CO2 para 345 milhões, segundo as estimativas.

A Plataforma Biofuturo é integrada por 20 países membros: Argentina, Brasil, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Holanda, Paraguai, Filipinas, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos e Uruguai, além da Comissão Europeia e também participam organizações internacionais, universidades e associações do setor privado.



Últimas da Imprensa

ver mais dados da imprensa
x