7/2/2018

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Empresários e pesquisadores das áreas de infraestrutura, meio-ambiente e agronegócio participaram nesta segunda-feira (5 de fevereiro) na Fiesp de reunião que teve como tema O Futuro dos Combustíveis para Transporte no Brasil e no Mundo. José Ricardo Roriz Coelho, segundo vice-presidente da Fiesp, conduziu a reunião. A Fiesp está discutindo de maneira integrada o assunto, destacou Roriz Coelho. A questão envolve emprego e outros aspectos relevantes para a indústria e para a sociedade.

Os palestrantes, Plinio Nastari, representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética, e Antonio Megale, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), defenderam o incentivo ao uso de biocombustíveis.

Ambos veem como desejável o uso futuro de etanol como insumo das células a combustível, que geram eletricidade a bordo dos veículos com que são equipadas.

Segundo Nastari, a produção de biocombustíveis sustentáveis pode ser uma solução integrada para questões estruturais em diversas dimensões. Consegue atacar problemas do setor de biocombustíveis, de petróleo e derivados, da indústria automotiva, do agronegócio, do meio ambiente e do mercado de trabalho.

Ele defendeu o RenovaBio, explicando que o programa tem como centro o fato de inovação e eficiência na produção e uso de biocombustíveis ser o pilar da estratégia brasileira de baixo carbono. Nastari citou as características positivas do programa, apoiado pela Fiesp. Uma delas é o incentivo à contratação de longo prazo. “Ele recompensa quem faz certo.”

Biocombustível, lembrou Nastari, é energia solar convertida em combustível. A opção pela expansão dos biocombustíveis pode dar longevidade ao uso sustentável da reserva fóssil brasileira. Também valoriza a engenharia nacional e pode criar uma plataforma de exportação dessa opção energética.

Nastari considera urgente a implementação e regulamentação do RenovaBio e a aprovação do Rota2030, induzindo a indústria na direção dos vetores eficiência e ganho ambiental. Chamou de irmãos siameses o RenovaBio e o Rota2030, plano de desenvolvimento de longo prazo para o setor automotivo. “É a solução estratégica que devemos adotar como país.”

Biocombustível é patrimônio do país, disse Megale, da Anfavea. “Temos que convencer o governo a que isso seja central.”

Considerando todo o ciclo de produção, poço à roda, ou campo à roda, não há nada mais eficiente, afirmou o presidente da Anfavea, sendo a alternativa aparentemente mais viável no curto e médio prazo para a redução de emissões.

Biocombustíveis (etanol e biodiesel) são solução de curto prazo, menor custo, já têm infraestrutura estabelecida, a tecnologia já é dominada e usa as potencialidades do Brasil, defendeu Megale.

Eletrificação é solução de médio a longo prazo, com maior custo, exigindo a criação de infraestrutura, localização de tecnologias e desafios ambientais. Segundo o presidente da Anfavea, a solução não é biocombustíveis ou eletrificação. É e – a junção dos dois.

Híbridos flex, disse, representam ganho de eficiência. No futuro, célula de combustível a etanol será grande alternativa para o país – e já está em teste no Brasil. É importante intensificar a pesquisa, com foco no potencial brasileiro.

Megale destacou que o futuro é elétrico, mas o mundo ainda vai demandar por muito tempo os veículos com motor a combustão.

O presidente da Anfavea defendeu a manutenção da pesquisa e do desenvolvimento do setor automotivo no Brasil, para o que é preciso apoio. Se P&D passar para outros países, os biocombustíveis não estarão no foco, alertou.

O InovarAuto, de cinco anos atrás e encerrado em 2017, permitiu ganho de eficiência, disse. Defendeu o Rota2030, explicando que a indústria precisa de previsibilidade, de uma visão de longo prazo, com perspectivas para 15 anos. Nesse intervalo será preciso ter ganhos de competitividade, que ainda é baixa no Brasil e dificulta a concorrência com outros países.

Reunião na Fiesp com o tema O Futuro dos Combustíveis para Transporte no Brasil e no Mundo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Reunião na Fiesp com o tema O Futuro dos Combustíveis para Transporte no Brasil e no Mundo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp e integrante da mesa principal da reunião, lembrou o papel da Anfavea na criação de um combustível nacional, numa época (década de 1970) de falta de divisas para importar petróleo. Houve valorização da engenharia brasileira também, destacou.

Jacyr da Costa, diretor da Divisão Brasil da Tereos, ressaltou a importância da energia para o setor industrial. O RenovaBio agrega valor dentro do Brasil, disse. Hoje exportamos soja e milho em grão, mas há espaço enorme de agregação, inclusive em biocombustíveis.

Walter Lazzarini, especialista em meio ambiente, considera fundamental a realização de reuniões multidisciplinares na Fiesp. Destacou o grave problema ambiental representado pelas emissões veiculares. Cada habitante da região metropolitana de São Paulo respira cerca de 250 g de poluentes por dia, afirmou, defendendo a implementação do RenovaBio.

Marcos Lutz, CEO da Cosan, disse que infraestrutura tem tudo a ver com planejamento, assim como a integração. Há, destacou, muita gente disposta a investir no Brasil. “Precisamos dar a direção para a sociedade seguir, não tentar extrair dela a fórceps.”



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