21/11/2017

Solange Sólon Borges

Na COP 23, foi anunciada a Aliança para o Abandono do Carvão, iniciativa britânica-canadense, com o intuito de banir o carvão – uma das principais fontes de energia – dos fornos de usinas de 20 países até 2030, mas esse apoio poderá se elevar para 50 países até a realização da próxima Conferência do Clima, em 2018. Mundialmente, 40% da produção de energia vem da queima do carvão.

A iniciativa conta com a adesão da Bélgica, Dinamarca, Holanda, Etiópia, El Salvador, Finlândia, França, Itália, Ilhas Marshall, Portugal e México, Nova Zelândia, bem como estados americanos, como Havaí, Califórnia, Nova York, Oregon e Washington. Grandes usuários do material fóssil — China, Alemanha e Rússia — não se filiaram à aliança.

Na avaliação da Alemanha, anfitriã da COP23, não será fácil abandonar o carvão, pois o país obtém 40% de sua eletricidade por meio dessa fonte de energia.

O Brasil ainda não se pronunciou sobre a Aliança. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o carvão é responsável por 3,61% da matriz energética. No mundo, segundo a Agência Internacional de Energia, 40% da produção de energia vêm do carvão mineral e sua queima responde por quase um terço do gás carbônico na atmosfera.

Na opinião do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, não será possível para o planeta manter um futuro baseado em combustíveis de origem fóssil. “Temos que parar de apostar em um futuro insustentável, que coloca em risco nossas economias e sociedades (…) Em 2016, foram investidos US$ 825 bilhões em combustíveis de origem fóssil e setores de alta emissão de gases do efeito estufa, mas essas emissões são as que provocaram efeitos catastróficos no planeta”, enfatizou.

Mobilidade e clima

Portugal, França, Holanda e Costa Rica, mais a plataforma Processo de Paris sobre Mobilidade e Clima (PPMC), também lançaram a Aliança para Descarbonização dos Transportes a fim de estimular maior liderança política setorial.

Para o vice-ministro do Ambiente de Portugal, José Mendes, “o setor de transportes gera externalidades. E como gera externalidades, nomeadamente emissões de gases de efeito estufa, nós temos que tratar dessas externalidades. A Aliança pretende justamente fazer esse tipo de coordenação de forma que tenhamos sucesso na implementação do Acordo de Paris também no setor dos transportes”.

Outras iniciativas voluntárias, relativas aos transportes e mudanças climáticas, também foram apresentadas em Bonn: “below50”, ou abaixo de 50, sobre expansão do mercado global para combustíveis mais sustentáveis; Aliança EcoMobility, sobre cidades comprometidas com o transporte sustentável; EV100, sobre aceleração da transição para mobilidade elétrica; Walk 21, que valoriza cidades onde seja mais fácil andar; e a Iniciativa Transformando a Mobilidade Urbana, que busca acelerar a implementação de transporte urbano sustentável e mitigação da mudança climática.

Com informações do MMA e da ONU. Com foto de divulgação da UNFCC.



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