30/5/2018

Solange Sólon Borges 

Das 52 gigatoneladas (Gt) que compõem o estoque de carbono armazenado em vegetação nativa no país, 67% se encontram em terras públicas e metade (26 Gt) está protegida em unidades de conservação e em terras indígenas. Essa é a conclusão de estudo a cargo de pesquisadores da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), que contaram com a colaboração de integrantes do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), da KTH Royal Institute of Technology e da Chalmers University of Technology – ambas instituições da Suécia.

O estudo integra o projeto Atlas da Agropecuária Brasileira, do Imaflora em parceria com o Geolab da Esalq-USP, como apoio do Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), cujos resultados se encontram publicados na revista Global Change Biology.

O alerta é que o Estado, principal “dono” desse carbono que nem sempre está em reservas protegidas, corre o risco de se converter em  gases de efeito estufa (GEE). De acordo com o estudo, aproximadamente 20% dessas reservas (10 Gt) estão desprotegidas em 80 milhões de hectares de terras públicas sem titulação ou destinação clara, sujeitas a disputa pela propriedade e desmatamento ilegal.

“Conseguimos identificar, pela primeira vez, onde está e a quem pertence o carbono no Brasil que está acima do solo, tanto em vegetação nativa, como em culturas e pastagens, de todos os biomas brasileiros”, disse Luís Fernando Guedes Pinto, pesquisador do Imaflora e um dos autores do estudo.

Para realizar a quantificação do estoque de carbono acima do solo e a identificação dos “donos”, foi desenvolvida uma base georreferenciada da malha fundiária, com bases de dados oficiais, como áreas protegidas nacionais e estaduais (UCs, terras indígenas e militares), bases de imóveis e de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e os imóveis do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Juntas, essas bases recobrem 80% do território e os demais 20%, sem cobertura, mereceram modelagem complementar.

Segundo o estudo, o Cerrado é o bioma com maior volume de carbono desprotegido (1,4 Gt, correspondente a 40%), seguido da Amazônia (1 Gt ou 1/3 do total), mais a Caatinga, também com grande volume.

O estudo aponta que a conservação do carbono desprotegido no Brasil dependerá da somatória de políticas públicas que incluam regularização fundiária, destinação de terras, implementação do Código Florestal, principalmente. Mas as adaptações necessárias para as diferentes realidades de cada região do país devem ser observadas.

Para conhecer o Atlas, acesse: http://www.imaflora.org/atlasagropecuario/

Com informações da FAPESP



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