Institucional

Fiesp discute meio ambiente na indústria há quase meio século

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é a maior entidade estadual de classe da indústria brasileira. Representa cerca de 130 mil indústrias de diversos setores, de todos os portes e das mais diferentes cadeias produtivas, distribuídas em cerca de 131 sindicatos patronais. Está ligada à Confederação Nacional das Indústrias (CNI).

A agenda ambiental da Fiesp foi impulsionada a partir da Conferência de Estocolmo, quando foi instituída, em 1973, uma comissão de meio ambiente na entidade e que depois de algum tempo adquiriu o status de Departamento de Meio Ambiente (DMA). O objetivo inicial era compreender e dominar as questões ambientais, especialmente aquelas aplicadas ao setor industrial brasileiro, contribuindo para atuação da indústria sob os princípios da sustentabilidade. Assim, passou a desenvolver ações estratégicas e institucionais destinadas a subsidiar tecnicamente a tomada de decisão do corpo executivo da Fiesp em questões ligadas ao meio ambiente.

Atualmente, o DMA tem como missão promover as relações entre produção e meio ambiente, com ênfase na prática do desenvolvimento sustentável, defendendo e conciliando os interesses e negócios da indústria. Oferece uma série de serviços e produtos, como o cadastro eletrônico de profissionais da área ambiental; a bolsa de resíduos que permite a divulgação para troca de materiais entre empresas; e dois eventos anuais, um deles, a realização da Semana do Meio Ambiente, na primeira semana de junho, e outro em comemoração ao Dia Mundial da Água, em 22 de março.

O Departamento de Meio Ambiente tem duas iniciativas importantes para estimular boas práticas ambientais nas empresas: o Prêmio de Mérito Ambiental e o Prêmio de Conservação e Reuso da Água. Por meio do DMA, a Fiesp incentiva e orienta a adoção de tecnologias limpas nos diversos setores produtivos da indústria, como o programa chamado Produção Mais Limpa. São disponibilizados guias técnicos para auxiliar no desenvolvimento de métodos e processos de produção de bens e de serviços com o mínimo impacto ambiental. Dois temas sensíveis à indústria têm publicações exclusivas: o licenciamento ambiental e os recursos hídricos.

Em 2009, ano em que ocorreu a Conferência do Clima da ONU de Copenhague (COP15), na Dinamarca, a Fiesp deu um novo e importante passo na consolidação de sua agenda ambiental. A instituição entendeu que era importante adotar uma estratégia de posicionamento sobre o assunto Mudança do Clima, ampliando, mais tarde, para uma agenda de Desenvolvimento Sustentável, cujo objetivo é fomentar o debate no assunto nas indústrias, adequando modos de produção e se antecipando a oportunidades que decorrem da chamada “Economia Verde”.

Neste sentido, as conferências internacionais da ONU têm produzido resultados nas instituições na medida em que o setor privado brasileiro vem internalizando as discussões ambientais e adotando sua própria agenda. A decisão pela criação do Comitê de Mudança do Clima pode ser considerada o passo definitivo da Fiesp na consolidação desta agenda de sustentabilidade por parte do setor industrial brasileiro. O tema foi adotado de maneira interdisciplinar e envolve seis áreas da entidade: Meio Ambiente, Infraestrutura, Agronegócio, Comércio Exterior, Pesquisas e Estudos Econômicos, e Competitividade e Inovação.

O Comitê de Mudança do Clima da Fiesp foi criado em julho de 2009 e, em outubro daquele mesmo ano, a entidade realizou um evento para lançar seu documento de posição sobre a Conferência do Clima que ocorreria dois meses depois em Copenhague. O encontro foi marcado pela presença do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, que recebeu uma honraria da casa e pela divulgação do position paper Mudanças Climáticas: O Valor das Convergências.

Nele, a Fiesp defende que os efeitos sociais, econômicos e ambientais das mudanças climáticas apresentam-se como grandes desafios desta e das próximas gerações. Sua avaliação está embasada em estudos científicos e econômicos conduzidos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU e aceitos pela comunidade internacional. Eles apontam alterações parcialmente inevitáveis, mas que podem e devem ser mitigadas por iniciativas públicas e privadas no sentido de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Ao final de 2009, a Fiesp enviou à COP15 uma comitiva de técnicos e diretores do Comitê de Mudança do Clima e lá realizou, no Espaço Brasil, quatro eventos. Desde esse ano, a Fiesp integra a delegação brasileira nas COPs e divulga seu documento de posicionamento.

 

O ano de 2012 foi um marco e começou com grandes expectativas para a área ambiental da Fiesp. Passados 20 anos da primeira reunião de chefes de Estado no Rio de Janeiro (a Rio92), o governo brasileiro e a ONU decidiram promover a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, chamada Rio+20.  O objetivo da conferência foi a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes.

A Rio+20 teve dois temas principais: a  economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. A Fiesp e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) se juntaram à Fundação Roberto Marinho e à Prefeitura do Rio para empreender uma iniciativa que foi o principal destaque dos eventos paralelos à conferência, o Humanidade2012.

Projeto concebido pela cenógrafa Bia Lessa e pela arquiteta Carla Juaçaba, o pavilhão montado sob o Forte de Copacabana foi a grande atração e por lá passaram mais de 200 mil pessoas durante onze dias de evento. O Humanidade recebeu debates sobre gestão compartilhada de praias, governança das águas, mudança do clima, produção e consumo sustentável, equidade de gênero.

A entidade divulgou um posicionamento, em parceria com a Firjan, chamado de “A Desigualdade é Insustentável”. Elas declararam seu engajamento com a agenda de sustentabilidade e apresentaram suas posições sobre temas relacionados, como: desigualdade social, energia, mudança do clima, segurança alimentar, pobreza, florestas e biodiversidade, resíduos sólidos, desenvolvimento e igualdade de oportunidades, tecnologia, inovação, comércio, trabalho e educação.